Minha saga aos EUA para conhecer o David Tennant

Nas minhas férias no trabalho, em abril, resolvi que passaria meus dias de folga nos Estados Unidos por um motivo muito especial: conhecer o ator britânico David Tennant, que deu vida ao 10º Doctor de Doctor Who, além de fazer o vilão Kilgrave em Jessica Jones, dentre outros papéis.

Quando o Tennant veio ao Brasil, na Comic Con Experience do ano passado, eu não estava aqui no país, tinha ido viajar com o meu namorado. Eu fiquei super mal pelo fato do meu Doctor preferido vir para cá e eu não estar, mas foi um fiasco, pelo que eu soube. Conheço muitos fãs de Doctor Who, mas só duas conhecidas minhas conseguiram foto com ele, o painel que era para durar quase uma hora durou apenas 15 minutos, enfim, foi uma decepção para quem gosta e acompanha o trabalho dele, então eu não perdi muita coisa.

Por isso, viajei aos Estados Unidos para conhecê-lo na Wizard World, um evento como a Comic Con. Ele estaria na cidade de Madison, em Wisconsin, dos dias 9 e 10 de abril e junto com a minha companion preferida da New Who, a atriz Billie Piper, que encarnava a Rose Tyler na série. Fiquei super feliz com essa notícia e adquiri um pacote VIP, que dava acesso ao evento, além de entrada nos paineis dos atores, uma foto com ambos e autógrafos.

No entanto, no começo de março a Billie cancelou a participação dela no evento por divergência na agenda, e a organização chamou para o lugar a atriz Alex Kingston, a River Song. Eu fiquei bem triste com o cancelamento da Billie, mas é a vida, segue o jogo, e eu adoro a River! Então tudo bem…

Alguns dias depois, anunciaram que o elenco principal de Jessica Jones iria ao evento: Krysten Ritter (Jessica Jones) e Mike Colter (Luke Cage), além do Tennant (Kilgrave) que já estava confirmado. Comprei um Photo OP para conseguir uma foto com os três, mas dias depois a Krysten também cancelou a participação dela no evento e devolveram o dinheiro. De novo uma apunhalada, eu adoraria conhecer a Krysten, mas paciência. O Tennant ainda estava confirmado e era para conhecê-lo que eu estava indo aos Estados Unidos.

No meio de março, anunciaram que o 11º Doctor, o ator Matt Smith, estava confirmado! Qual foi a minha alegria, mais um Doctor, que ótimo! Eu adoro o Doctor do Matt Smith e o evento começou a vender fotos com o Tennant e o Smith. Perfeito! Comprei. E o Smith cancelou. Eu fiquei muito, muito mal… seria matar dois coelhos numa cajadada só, poxa… e para piorar, de Madison eu iria para Nova York, para conhecer a cidade. E anunciaram um evento com os dois atores em NY, só que um dia após o meu retorno. Reagendar a passagem sairia muito caro, então eu perderia. Uma tristeza!

Mas foco, o Tennant ainda iria para Madison. Tinha de pensar nisso: eu estava viajando aos EUA apenas para conhecê-lo, então OK.

Fui de São Paulo para uma conexão em Detroit e, então, para Madison. Cheguei na cidade na quinta, o evento começava na sexta – mas o Tennant e a Alex só estariam por lá no sábado e no domingo. Então, na sexta, foi dia de conhecer o Alliant Energy Center, onde foi realizada a convenção, além de comprar o que tinha de comprar. O evento é bem grande e não estava tão cheio na sexta, o que foi bom – pois acabei conhecendo o ator Nicholas Brendon, que fez o Xander Harris, em Buffy – A Caça Vampiros. :)

Chegou o grande dia.

Sábado seria o dia da minha foto com a Alex e o Tennant, além dos autógrafos e painéis de ambos. Acordei com uma enxaqueca horrorosa, acho que por conta da ansiedade. Hahaha! Mas eu não podia deixar de comparecer, viajei até lá para isso. Meu namorado e amigas me mandaram mensagens desejando boas energias, eu tomei remédios e depois de algumas horas deitada no quarto escuro, acabei melhorando. Então era hora de me arrumar, porque o evento já tinha começado e eu não podia perder mais nada!

Pedi um Uber e fui ao Alliant Energy Center, que agora estava lotado! Muita gente, muitos cosplays de Doctor Who feitos por pessoas de todas as idades, uma coisa linda! É bem emocionante ir a um lugar onde você sabe que as pessoas gostam das mesmas coisas que você, que entendem e partilham do seu amor.

A primeira coisa que eu tinha a fazer, da programação, era receber o autógrafo da Alex Kingston. Comprei um pôster bem bonito, com uma foto do 10th com a River (do episódio Silence in the Library) e fui para a fila do autógrafo. Eu estava tão nervosa de vê-la de perto, queria chorar, estava muito emocionada. Na hora do meu autógrafo, não me contive e chorei. Disse que eu havia ido do Brasil só para vê-la, que ela era linda e tudo mais. E a Alex foi um show de simpatia. Disse que eu também era linda, que estava muito feliz por eu ter ido de tão longe para vê-la, reparou na minha tatuagem de TARDIS no peito, perguntou se não foi dolorido e falou que eu devia ser muito fã de Doctor Who para fazer uma tatuagem dessas nesse local no corpo. E então, a melhor parte: eu disse que eu estava em depressão quando comecei a assistir Doctor Who e que a série me ajudou demais. Olhando no fundo dos meus olhos e segurando as minhas mãos, ela disse que eu me ajudei, que eu apenas estava vendo eles atuarem. Disse que eu era forte, que eu fui a responsável por sair dessa. Depois ela perguntou se eu iria tirar uma foto com ela e com o Tennant depois, eu disse que sim, e ela falou que esperava para me ver mais tarde. Uma linda!

Agora era a vez do painel dela. Como eu era VIP, podia sentar nos melhores lugares. Foi ótimo, ela falou sobre Plantão Médico, série em que ela participou nos anos 90, sobre como foi atuar com três atores diferentes que fizeram o Doctor (Tennant, Smith e Capaldi), sobre o início da carreira… foi bem legal! Eu só não pude ficar até o final porque logo depois era a foto com ela e o Tennant.

Fui para a fila, que estava imensa, esperar pela minha vez. Eu estava tão nervosa, não tinha pensando em como seria a minha foto e vi que era muito rápido, menos de um minuto, mal dava para falar com os atores. Seria a primeira vez que eu estaria pertinho do Tennant e o ansiedade estava a mil. Na minha vez, assim que me viu, a Alex falou para o Tennant: “Ah, a brasileira. Essa é uma garota muito especial”. Eu mal consegui falar nada, estava em êxtase. E ele, para mim: “Parabéns por ser uma garota especial”. Foi rápido, eu apenas fiquei no meio dos dois, mas saí chorando de felicidade.

Dali, eu tinha mais uma foto com o Tennant sozinho, então fui para a fila de novo. Mais uma vez, foi hiper rápido, mas perguntei se ele podia me abraçar na minha foto, e ele disse que sim. Saí de lá ainda sem acreditar direito no que estava acontecendo, mas precisava ir para a fila do autógrafo dele, onde teria mais tempo para conversar.

A Michele, uma brasileira que conheci em um grupo de Doctor Who e que também foi para Madison, já estava na fila, então fui para junto dela. A fila do autógrafo com o Tennant era bem maior, então a organização do evento apressava as pessoas para que fossem logo e não ficassem de muito papo. Novamente, o nervosismo tomou conta de mim. Quando chegou a minha vez, ele viu meu nome escrito no papel (a organização perguntava nossos nomes e escrevia num papel para facilitar a vida do ator na hora da dedicatória) e falou, com aquele sotaque escocês e aquela voz maravilhosa “Karina!” e eu logo me adiantei dizendo que havia ido do Brasil apenas para vê-lo e ele disse “Ahhh, estou encantado, muito obrigado”. Eu também falei para ele que estava em depressão e Doctor Who me salvou e agradeci por ele ser o meu Doctor. Ele falou que era um prazer e disse que apreciava o fato de eu ter lhe dito isso, além de agradecer de novo. Foi rápido, mas foi lindo. Ele realmente ouviu o que eu tinha a dizer, mesmo com tanta gente em volta e com a organização me apressando.

Depois, era a hora do painel dele. Fiquei esperando o painel anterior terminar. Quando acabou, consegui sentar em um ótimo lugar: bem no meio do palco, na segunda fileira. E foi difícil conseguir, todo mundo queria ver o Tennant de pertinho!

O painel foi excelente, ele falou sobre a carreira, sobre Jessica Jones, gritou “JESSIIIIICAAAA” daquele jeito que ele faz na série, para delírio do público, respondeu perguntas sobre Doctor Who, riu bastante e parecia estar se divertindo muito. Durou 45 minutos e acabou.

E, para mim, o sábado também acabou. Voltei para a casa do Airbnb que aluguei e tentei repassar todo aquele dia na minha cabeça, porque foi um dos melhores da minha vida, sem sombra de dúvidas.

No domingo, eu tinha apenas mais uma foto sozinha com ele. Comprei uma sonic screwdriver do 10th (eu não tinha a de brinquedo, só uma de controle remoto universal que foi super cara e eu deixo dentro da caixa! Hahahaha) e fui para a fila. Na hora da foto, de novo hiper rápido. Só pedi para ele segurar a sonic screwdriver e ele já sabia que era para fazer “cara de Doctor”. A foto ficou ótima, me senti uma verdadeira companion! :)

Depois, ele tinha mais uma longa tarde de autógrafos, mas eu não tinha direito a isso. De qualquer forma, fiquei de pé em frente ao stand onde ele e a Alex estavam autografando para vê-los. O Tennant deu autógrafos para umas 400 pessoas e eu fiquei da primeira à última. Consegui depois falar com ele de novo (o agente dele permitiu que eu falasse rapidamente), eu falei que ia à Nova York de lá e que adoraria vê-lo atuando ao vivo na peça Richard II, que está em cartaz na cidade até o final do mês, mas que os ingressos estavam esgotados. Ele disse que sim, que achava que estavam esgotados, eu novamente agradeci e ele foi super simpático, mas ficaram apressando e ele teve de ir.

Eu voltei tão triste, porque tinha acabado aquele momento. Queria ter uma TARDIS para voltar no tempo, logo para o sábado de manhã, para reviver tudo de novo. Na segunda de madrugada era o meu voo para NY.

Chegando em Nova York, fui até o teatro onde a peça dele está em cartaz para tentar algo. Os ingressos realmente estavam esgotados e eu saí de lá chorando. No entanto, uma funcionária do teatro muito simpática me disse que toda peça tem cancelamentos e que, quem não tem ingresso, forma uma fila umas duas horas antes do espetáculo para tentar comprar esses ingressos cancelados. Falou para eu fazer isso que era quase certeza de conseguir.

OK, no dia seguinte tinha apresentação às 19h30. Às 17h15 eu estava na porta do teatro, mas já tinham cinco pessoas na minha frente, eu era a sexta! Fiquei com muito medo de não conseguir… porém, a sorte estava ao meu lado. Uma senhora foi retirar os ingressos dela e perguntou se alguém que estava esperando pelo cancelamento queria o ingresso da amiga dela, que não pôde ir. Custava 64 dólares e era um lugar na Galeria, que fica na parte de cima do teatro. Ninguém na fila antes de mim tinha 64 dólares em dinheiro, mas eu tinha exatamente 66 dólares e comprei dela! Fiquei com 2 dólares na carteira, mas quem se importa?! Hahahaha! Eu ia ver o Tennant de novo, agora atuando em uma peça do Shakespeare!

Meu lugar era ótimo, logo na primeira fileira da Galeria. Fiquei tão feliz! A atuação dele foi bárbara, ele passa com muita facilidade do drama para a comédia, foi fenomenal (com direito a beijo na boca de outro homem!).

Quando a peça acabou, fui para a “stage door” esperar pela saída dele, com mais umas 200 pessoas. Ele demorou uns 40 minutos a sair e já era bem tarde, mas ele atendeu rapidamente a algumas pessoas (não todas, era impossível), tirou selfies e deu autógrafos. Eu estendi meu ingresso para ele autografar, mas não consegui falar com ele, foi uma loucura. Na hora em que ele estava entrando no carro para ir, eu ainda consegui uma selfie com ele que ficou horrorosa (estava escuro, ventando muito, enfim… mas OK, ao menos consegui de novo).

Saí de lá tão feliz que não cabia em mim! Consegui vê-lo em Madison e em Nova York, que era algo quase impossível.

Foi maravilhoso poder passar parte das minhas férias realizando o meu sonho. Conhecer o David Tennant (e a Alex Kingston) foi algo tão surreal, tão lindo, tão maravilhoso… nunca vou esquecer esses momentos na minha vida, tenho fotos, autógrafos e áudios para me lembrarem o quanto foi fenomenal ter vivido isso.

Para muita gente, fazer esse tipo de coisa é “loucura”, mas só eu sei o quanto isso tudo me fez bem e me deixou feliz. Foi realmente mágico ter vivido tudo isso e me sinto muito sortuda.



 



Texto escrito por Karina Rodrigues